segunda-feira, 7 de maio de 2012

E o que Temos de Novo...

Nestes um ano e sete meses que estivemos afastados da atualização do Blog, muita coisa andou rolando em nossa Escola, águas que passam embaixo de nossa ponte, águas que nos renovam e estão sempre a mudar. 
Hoje contruimos uma parceria com a Prefeitura da cidade de Bagé e a Secretaria Municipal de Juventude Esporte e Lazer, as quais estiveram sempre de nosso lado, desde o inicio do processo de resistência educativa e cultural que estabelecemos. Assim como esteve conosco a Ordem dos Advogados do Brasil - Secção Bagé, a Comissão de Educação e Direitos Humanos da Câmara Municipal de Vereadores, a Defensoria Pública, a Secretaria Municipal de Educação, o Simpro, Simprofen, o Cpers Sindicato; Sem o apoio destas Instituições teríamos, provavelmente, deixado de existir.
Além das parcerias externas, conseguimos internamente avançarmos no aprofundamento da estrutura necessária a construção de uma Escola de Tempo Integral, sendo que num primeiro momento conseguimos manter quase toda a estrutura fisica, bem como os bens móveis que eram propriedade do Instituto (o qual encerrou suas atividades em Janeiro de 2010) e que ficaram para a Escola, além destes, ampliamos a conquista de bens que tínhamos como fundamentais para ampliarmos nossa estrutura de trabalho, como os que vieram a qualificar nossa Sala de Multimidias e os da cozinha da Escola e a nossa padaria, a qual desde o inicio deste ano colocamos em funcionamento.
No processo pedagógico e de gestão conseguimos o acesso da Escola a importantes Projetos que já estao em desenvolvimento na Escola: Programa Mais Educação, Projeto Santa Tecla - Um Computador por Aluno (em fase de implementação), Programa Esporte e Lazer das Cidades e Projeto Segundo Tempo. Pelo Mais Educação implantamos as seguintes Oficinas: de Coral, de Dança, de Banda Escolar, Horta, Rádio Escola, de Letramento.
Mas a novidade mais interessante que temos a relatar não podia deixar de ser outra senão a respeito de nós mesmos, das gentes que coletivamente estamos nos construindo, da trupe de novas e novos atores da cidadania, meninos e meninas educandas (os) e novas educadoras e educadores e de funcionárias (os) que se juntaram a nós nesta Caminhada de construção e reconstrução de conhecimentos, de afetos, de sentimentos, de territórios de liberdade, paz e Vida.



ESTAMOS AI...PRO QUE DER E VIER...A CASA É SUA.

Passados exatamente um ano e sete meses da última postagem deste Blog, resolvemos ativá-lo para atualizar as noticias sobre nossa Escola e agradecermos a todas e todos que conosco compartilharam nossos momentos de extrema tristeza, quando da tentativa do fechamento da Escola, bem como nossa disposição de Luta, nossa terna alegria por termos contado com o ato solidário de vocês e definitivamente podermos ter dado continuidade a nossa Caminhada. A todos vocês nos colocamos a disposição e gostariamos de dizer que a nossa Casa também é Sua. Muito Obrigado Povo de Bagé, o que fizemos e construimos juntos foi uma bela aula prática de Cidadania Ativa.


sexta-feira, 4 de maio de 2012














Canção óbvia

Escolhi a sombra dessa árvore para
repousar do muito que farei,
enquanto esperarei por ti.
Quem espera na pura espera
vive um tempo de espera vã.
Por isto, enquanto te espero
trabalharei os campos
e conversarei com os homens.
Suarei meu corpo, que o sol queimará;
minhas mãos ficarão calejadas;
meus pés aprenderão o mistério dos caminhos;
meus ouvidos ouvirão mais;
meus olhos verão o que antes não viam,
enquanto esperarei por ti.
Não te esperarei na pura espera
porque meu tempo de espera é um
tempo de quefazer.
Desconfiarei daqueles que virão dizer-me,
em voz baixa e precavidos:
É perigoso agir
É perigoso falar
É perigoso andar
É perigoso esperar, na forma em que esperas,
porque esses recusam a alegria da tua chegada.
Desconfiarei também daqueles que virão dizer-me,
com palavras fáceis, que já chegaste,
porque esses, ao anunciar-te ingenuamente,
antes te denunciam.
Estarei preparando a tua chegada
como o jardineiro prepara o jardim
para a rosa que se abrirá na primavera.

Paulo Freire (Genève, 1971)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Para quem perdemos nossas crianças, jovens e adolescentes?

A sociedade sabe de antemão que quando se fecham as portas de uma escola, literalmente abrimos portões escancarados para o abandono.
Os órgãos governamentais justificarão: Mas há tantas outras escolas para serem encaminhados. Existe o zoneamento e as escolas próximas absorverão a demanda. Aumentaremos as vagas em outras escolas. Nenhuma criança ficará fora da Escola. Temos compromisso com a educação.
Perguntamos: Nestes últimos anos quantas Escolas novas foram criadas? Quantos alunos temos por salas de aula nas Escolas públicas? Quanto de investimento recebeu cada Escola Estadual da cidade nestes últimos anos? Quantas Escolas puderam fazer reformas mínimas em seus prédios? Os recursos que cada Escola recebe são suficientes para manterem-se? No que efetivamente os educadores e funcionários de escola, trabalhadores em educação, foram valorizados? Quantos concursos públicos foram feitos nos últimos anos para suprir a defasagem enorme de recursos humanos nas escolas? Onde estudam os filhos de quem governa? Estão estudando nas Escolas Públicas?
A sociedade sabe que milhares de entidades filantrópicas existem no Brasil?
Quantas realmente têm, como costumam propagar, o que chamamos de responsabilidade social?
Quantos milhões os cofres públicos deixam de receber com isenções a estas entidades?
Quantos milhões são fornecidos pelos cofres públicos a elas?
Vi há poucos dias um filme que me deixou abismado, chama-se: “Quanto vale ou é por quilo?” Filme do diretor Sergio Bianchi que faz um paralelo entre a época da escravidão e os dias em que vivemos, abrindo o que podemos chamar “das portas da esperança” do chamado terceiro setor, fazendo uma dura critica a entidades que aparentemente servem ao próximo, servindo-se da exploração da miséria, de fartas verbas angariadas de pessoas de boa vontade e com sentimento de solidariedade e do rio de recursos arrecadados via nossos impostos, com os quais o governo deliberadamente rega, quase sem fiscalizar nada, a titulo de contribuição pelos serviços prestados, estas entidades que aos milhares florescem, brotando por todos lugares. É evidente que se deve separar o joio do trigo. Existem entidades realmente sérias, que muitas vezes suprem com seus esforços contínuos o que o Estado deixa descoberto, é a sociedade civil organizada que “não deixa a peteca cair”.
Mas por quantas vocês colocariam suas mãos no fogo?
As crianças continuam como nunca nas ruas, são milhares.
Agora fantasiados de zumbis, com a epidemia do crack
Abandonados, esquecidos, maltrapilhos, drogados ou trabalhando como escravos.
Quem vai pagar esta antiga conta? 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O QUE NOS MOVE?


O que nos move é a esperança...Ah! Isto é muito vago, nos dizem.
Não para quem a tem em seus atos, não para quem não se dispõe à venda...
Somos esperançosos na medida de nossas lutas diárias, somos porque assim nos tornamos gente, porque é da essência dos humanos construírem seus sonhos.
O que move nossas vidas é sabermos sermos finitos, portanto, “inconclusos”, não acabados, imperfeitos, em construção, assim neste eterno ir e vir aprendemos a essência que nos faz Humanos. Estes aprendizados nos são caros, são marcas talhadas em nossas faces, são silêncios acumulados, mas não silêncios de covardia e de medo, silêncios que anunciam bem alto a Boa Nova...Que a Vida anda por nós faceira explodindo em alegria, bem próximo a nós, basta abrirmos os olhos e Vermos.
Por isso...Por vezes aprendemos bem mais que ensinamos as nossas Crianças.  



quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sobre Crianças, Seres Humanos e o Futuro

Até o último minuto nosso olhar e nossa alma 
estará junto as crianças que carregam a esperança de nossa Escola.
Não! Não estaremos juntos aos poderosos, 
Não estaremos com os que diariamente com seus 
atos deseducam e ferem a essência mesma das flores
ao que os humanos chamam de vida.
A estes que aos pequenos se unem em corpo e mente 
chamamos de Educadores.
Temos em nosso espírito um pouco da humildade que ensinou
O Mestre Francisco da cidade de Assis, de contribuirmos com
pequenos gestos anônimos pela paz, daqueles que pertencem
as legiões do Bem, dos que trocaram a "pedagogia" do discurso, pela pedagogia do exemplo.
Nos falam de leis que nos roubam direitos, ofertamos nossa pacífica resistência
Nos dizem que necessitam de espaços, lhes dizemos que os espaços devem ser ocupados
pelas crianças que nos ensinam e nos lembram que o que devemos dignificar é a própria existência.
Não por nós educadores, não! Não para receber títulos e honrarias, Não!
Quem ousa ferir a infância? Que justificativas serão levantadas?
Leis? Auditores? Administradores? Contadores?
Não transformem nossas crianças em números! Não chorem pelas nossas crianças de rua!
Acabem de uma vez por todas, de uma só vez com este fato que insulta,que indignifica, que mancha a própria Alma de quem nós Somos: SERES HUMANOS. 

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Calaremos?


Talvez estejamos enganados em defender a continuação dos trabalhos desta Escola, Talvez estejamos ofendendo o direito a propriedade privada dos Freis, como nos colocam: é deles e eles têm o direito de fazerem o que quiserem com sua propriedade, apesar dela ter sido doada pelo povo de Bagé para construirem o Instituto e a Escola.
Talvez nunca nestes 53 anos tenha havido realmente uma parceria entre Instituto e Escola. Pois foi solicitada nossa retirada das dependências do seu estabelecimento com data marcada e aviso prévio.
Talvez...
Talvez Nossa perspectiva de defender o direito destas 220 crianças e adolescentes a terem uma Escola em que efetivamente são felizes e educados seja demasiado pequeno em relação aos grandiosos planos da Associação em expandirem seus trabalhos de assistência social. Sim, pode ser.
Mas talvez seja demasiado equivocado o fato de quererem terminar com Escolas, sim...às pressas, para que ninguém ouse pensar que quando fecham uma Escola abrem-se mil portas para a desesperança.
Fecham uma Escola e matam um pouco a cada dia de suas próprias almas. Hoje somos nós uma pequena Escola que querem fechar, amanha irão dar fim à esperança e ao sentido mesmo de estarmos vivos...Ficaremos calados? 

A lei que ampara um, despeja outro - Editorial A Folha do Sul

Editorial
A lei que ampara um, despeja outro
14/05/2010
Redação Folha do Sul
Uma escola tradicional de Bagé está condenada ao despejo e, consequentemente, ao fechamento. O motivo é uma lei federal, que determina às entidades filantrópicas que optem pela especialização de um setor de atendimento para que possam ser recredenciadas como benemerentes. A Escola Arnaldo Faria é a vítima desta lei, pois a instituição cristã que cede o prédio para o funcionamento do estabelecimento optou pela assistência social à educação e já deu o veredito: a estrutura tem que ser desocupada até o último dia do ano.
Desta forma, mais de 200 crianças vão ser distribuídas em outras escolas estaduais, assim como seus professores e funcionários. Não considera a entidade religiosa que o tipo de educação prestada no local é mais que aprendizado e se completa em assistência social. Isso porque a maioria dos alunos vem de famílias carentes, cujos pais ou, muitas vezes, mães chefes-de-família, que precisam deixar as crianças amparadas na escola a fim de trabalharem pela sobrevivência. Com parcos recursos, não tem condições de pagar por um cuidado particular para os menores. A escola de tempo integral é modelo de ação social na cidade. O tipo de atendimento agora é tema de projeto que tramita no Congresso Nacional, que pretende criar escolas de oito horas em todo o país, até mesmo como uma forma de reduzir a criminalidade e o uso de drogas.
Entretanto, a comunidade escolar prefere lutar à entrega-se às decisões dos burocráticas de leis que não foram feitas por educadores nem mesmo por técnicos, mas sim, por políticos que parece desconhecer a diversidade da educação brasileira. Organizam uma mobilização na comunidade a fim de reverter a situação do despejo ou do fechamento da escola.
Pior ainda aqueles que se omitem e cumprir regras sem discutir nem apresentar soluções. Melhor seria se o Estado assumisse sua responsabilidade e construísse um novo prédio para escola, pois quem fala em nome de Deus prefere desamparar aqueles por quem Ele lutava. E a lei? Esta é uma outra história. Se fosse pela legislação, muitas outras entidades ditas filantrópicas já deveriam ter sido despejadas da sociedade.

sábado, 15 de maio de 2010

Nova lei vai causar fechamento de Escola Estadual  
Capa - Jornal Folha do Sul - Bagé/RS
14/05/2010 - Evalber Ghisolfi
Foto: Antonio Rocha
A Escola Arnaldo Faria deve encerrar as atividades em 2011, devido a uma mudança na lei da filantropia. A decisão gera revolta e protesto por parte da diretoria e da comunidade. O futuro da Escola Estadual de Ensino Fundamental Dr. Arnaldo Faria está comprometido. Na segunda-feira, o diretor da instituição foi avisado que as atividades devem ser interrompidas, de maneira definitiva, no início do ano que vem. A notícia foi uma triste e desagradável surpresa tanto para a direção, professores, pais e para os 220 alunos da escola, que está em atividade há 53 anos.

A mudança na lei é a justificativa para remover a Escola Arnaldo Faria, que funciona no prédio anexo ao Instituto de Crianças e Adolescentes São Francisco de Assis (Instituto de Menores), cuja mantenedora é a Associação Literária São Boaventura, de Caxias do Sul. A lei 12.101, mais conhecida como a Lei da Filantropia, foi aprovada em 27 de novembro do ano passado. Ela visa regulamentar as instituições em relação às três classes filantrópicas, que são assistência social, saúde e educação. Ou seja, cada entidade deveria escolher um ramo de atuação e priorizar o atendimento, esclarece o diretor do Instituto de Menores, Claudelino Brustolin. Como o objetivo da associação, desde sua fundação em 1909, sempre foi dar assistência social, a parceria de educação, firmada com o Estado é colocada em xeque.
- Enquanto a lei permitia, nós continuamos com a parceria, mas agora se a escola continuar funcionando não vamos obter o certificado de instituição filantrópica, que deve ser renovado periodicamente. Como precisamos do prédio para ampliar nossos serviços de assistência social, não há o que fazer, explica.

A decisão adotada foi assinada no dia 30 de abril pelo coordenador da 13ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação), José Adilson Santos Antunes. Com isso, a entidade mantenedora pede que o prédio seja entregue e a escola fatalmente vai encerrar as atividades. O prazo para a liberação do espaço físico encerra em 31 de janeiro de 2011. Conforme Brustolin, a atitude tomada não foi exclusivamente para o município. O mesmo acontece em todas as instituições de ensino nas quais a entidade possui alguma relação. Ele ainda informa que é preciso se adaptar à lei em um período máximo de 180 dias.

A novidade não agradou nem um pouco o diretor da escola, Márcio Afonso Adip. Ele não consegue entender os motivos alegados pelos freis capuchinhos e revela que até hoje nenhum documento oficial foi emitido à instituição de ensino.
- Dizem que mudou a lei, mas a lei recém foi aprovada. Além disso, existem ações no Supremo Tribunal Federal que vai decidir a regulamentação. Esta decisão fere qualquer princípio democrático. Estão nos descartando sem ao menos nos avisar, pois ficamos sabendo que a escola iria fechar na segunda-feira, depois da decisão assinada pelo coordenador, expõe.

A instituição atende 220 crianças de 14 bairros, com idades entre seis e 14 anos. Em sua maioria, são famílias que se encontram em vulnerabilidade social. Grande parte das mães são chefes de famílias que trabalham todo o dia e passam por inúmeras dificuldades para conseguir o sustento. Desde 2008, a escola oficialmente trabalha em turno integral. Mas as atividades já aconteciam dessa maneira desde sua fundação há 53 anos.
- Temos um turno de aulas normal. No horário inverso, eles participam de diversas oficinas que ocupam as crianças o dia inteiro. Além disso, as crianças recebem quatro refeições por dia, o que é muito importante para essas famílias. Caso realmente a escola seja fechada, vai ser um baque muito grande tanto para sociedade, mas principalmente para essas famílias, destaca.

Adip aponta que até o momento nenhuma reclamação havia sido feita, inclusive sobre os gastos em relação à educação, uma vez que isso compete ao Estado. Ele lembra que recentemente foi adquirido um laboratório de informática, com 10 computadores, com acesso à internet e ar condicionado. Outros R$ 13 mil oriundos do Plano de Desenvolvimento Econômico (PDE) já estão disponíveis para serem investidos na escola. Além de outros projetos existentes à médio e longo prazo. Por isso, Adip acredita que seja possível seguir fazendo o trabalho de assistência social da entidade, aliado à educação.
- São 53 anos que a entidade é isenta de impostos e de uma série de tributos públicos e previdenciários devido à filantropia e agora, de uma hora para outra, querem fechar uma escola tão importante como esta? Seria um retrocesso, opina.

A questão da segurança e da violência preocupa os pais dos alunos, informa Adip. O receio é que o fechamento da escola leve muitos menores ao vício. Conforme Adip, alguns dos meninos que saíram de lá, em pouco tempo já estavam se drogando.

Voluntária na escola há um ano e três meses, Janaína Rodrigues Silva é mãe de três crianças que estudam no local. Para ela não existe uma escola igual.
- Aqui as crianças se alimentam quatro vezes por dia, tem carinho, educação e atenção o dia inteiro. O que vai ser delas se a escola fechar, questiona.
Para os avós de um dos alunos, Maria Zila Hernandes de Freitas e Acendino Soares Quevedo, a notícia foi recebida com tristeza.
- A escola é muito boa, não gostaríamos que acontecesse isso. É uma tristeza, lamenta.

Brustolin ainda revela que a intenção da associação é ampliar os trabalhos assistenciais em Bagé, já que estavam muito centrados em Caxias.
- Queremos atingir mais pessoas, tanto alunos, com novas oficinas, como também os pais, através de cursos profissionalizantes. Dessa maneira, vamos atender aquilo no que é de natureza, ou seja, a assistência social, salienta.

Com esta nova realidade, a 13ª CRE vai ter de ser obrigada a redistribuir os estudantes em escolas próximas aos bairros onde moram e redirecionar os professores à outras instituições de ensino, conforme explica a chefe administrativa da 13ª Coordenadoria Regional de Ensino, Carolina Cardona Mielke.
- O ano letivo de 2010 vai seguir sem alterações. Entretanto, para o ano que vem, como a escola vai ser fechada, teremos a responsabilidade de abraçar essas crianças e a obrigação de garantir um estudo, distribuindo elas em escolas estaduais e municipais, afirma.

Carolina conta que propuseram alugar o prédio, assim como ainda estão tentando fazer com que a decisão seja desfeita, mas assume que realmente estão desesperançosos. Já a presidente do 17º Núcleo do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), Ana Lúcia Cabral, afirma que vão fazer o possível para manter a escola em funcionamento.
- Com certeza vamos ser parceiros nessa luta e vamos nos mobilizar juntos com a escola. Somos contrários ao fechamento de qualquer escola, ainda mais esta que é histórica, atende a várias comunidades, e que tem uma proposta educacional diferenciada, conclui.

O diretor da escola afirma também que vai lutar pedindo apoio à Organização dos Advogados do Brasil (OAB), ao CPERS, à Câmara de Vereadores e até mesmo ao prefeito, para manter a escola.
- Queremos que os freis voltem à razão e não nos tomem a escola. Não é possível que uma história de 53 anos seja destruída em uma semana, finaliza.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Os Motivos apresentados pela Associação e a Contra Argumentação da Escola

* 1ª. A Associação alega que a mudança na legislação, Lei 12.101/09, em vigor desde o dia 30/11 (a chamada Lei da Filantropia), obrigou a mesma a tomar tal atitude de desligar-se da Escola e solicitar sua saída das suas dependências.
Contra posição da Escola –
A parceria existente foi solicitada a 53 anos ao Estado do RS pela Associação, que deu origem em data de 08/03/1957 a criação da Escola Estadual Dr. Arnaldo Faria. Por ser uma Escola Estadual segue a legislação própria destas, entre as quais a Lei de Gestão Democrática, que estabelece que as Escolas Estaduais tem autonomia administrativa, pedagógica e financeira. Portanto, a alegação da Associação que teriam que se desligar do ramo da Educação seguindo orientação da nova legislação é infundada, pois em nossa parceria a Associação contribui não na área de educação (em Caxias do Sul sim estavam nesta área, pois possuíam escolas infantis fundadas e gestionadas pelos Freis- o que não é nosso caso), os Freis tem parceria com uma Escola do Estado, mas esta parceria esta inscrita na área de assistência social, pois nossos alunos são computados no total de crianças atendidas na área de assistência social do Instituto, desta forma passiveis de continuarem sendo atendidas pela Associação;
A Lei 12.101/09 trata das entidades filantrópicas, sua certificação, ramos de atividades entre outras, não diz em nenhum de seus artigos que a Entidade deverá escolher somente um único ramo de atividade para atuar, diz sim, que a Entidade deverá escolher a área preponderante, sendo que:
Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei.
Art. 22. A entidade que atue em mais de uma das áreas especificadas no art. 1o deverá requerer a certificação e sua renovação no Ministério responsável pela área de atuação preponderante da entidade.
E o próprio dispositivo do artigo ressalta que a atividade preponderante será àquela definida no CNPJ, privilegiando a liberdade de escolha das entidades, no seguintes termos:
Parágrafo único. Considera-se área de atuação preponderante aquela definida como atividade econômica principal no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica do Ministério da Fazenda.
Assim, sinteticamente, as entidades pretendentes a concessão ou renovação dos certificados de entidade beneficente de assistência social deverão apresentar requerimento ao Ministério corresponde a sua atividade econômica principal definida no CNPJ, de acordo com o procedimento previsto na Lei nº 12.101/09.
Mesmo que nossos alunos fossem considerados na área de educação, o que não é o caso, pois fazem parte do conjunto de crianças e adolescentes do Instituto, poderia ser considerado legal a continuação da parceria com a Escola;
A Lei 12.101/09 foi aprovada recentemente e não foi sequer ainda regulamentada, além do que já está sendo contestada em vários aspectos em ações que tramitam no Supremo tribunal Federal; ora parece-nos que houve uma precipitação da Associação em desfazer a parceria, pois na regulamentação da Lei, as entidades estão propondo a ampliação do leque de possibilidades para que se facilitem justamente as parcerias;
Tal legislação vinha tramitando a mais de dois anos no Congresso Nacional e em nenhum momento foi cogitado a possibilidade de término da parceria, muito pelo contrário, pois está tramitando na Secretaria de Educação uma proposta de Termo de Convênio proposto pela Associação Literária São Boaventura regulamentando de direito a parceria com a Escola;

* 2ª. A segunda alegação – A Associação diz precisar das dependências da Escola para que possa ampliar seu trabalho na área de assistência Social, que as crianças ficariam sendo atendidas pelas Escolas Municipais existentes nos bairros e que o problema não é de ordem financeira.
Contra posição da Escola –
Achamos louvável esta posição da Associação e colocamos em reunião, que inclusive coadunamos com esta posição e nos oferecemos a contribuir neste processo, aliás como sempre fizemos em todos estes anos de parceria;
Que a Escola tem uma especificidade (Escola de Difícil Provimento e Escola de Tempo Integral) que deve ser levada em conta, pois somos preparados para trabalharmos educativamente com crianças e adolescentes de famílias em situação de risco e vulnerabilidade social. Que atendemos crianças vindas do sistema municipal de educação que já passaram por duas, três escolas e que vem para nossa escola e ficam, tendo a garantia de receberem uma educação e formação em tempo e de forma integral.
Que durante estes 53 anos foi priorizado e reconhecido o importante trabalho que realizamos com estas parcelas da população, de quase tudo, excluídas socialmente. Além do que se for pelo espaço físico, nos propomos a estudar junto ao Instituto e Associação a racionalização do uso destes espaços de forma a dinamizar seu uso. Sendo que cursos para membros da comunidade poderiam ser realizados no turno vespertino (das 17 horas as 20 horas, por exemplo) possibilitando que jovens e pais dos educandos possam continuar a buscar a sustentação familiar com a garantia de terem suas crianças sendo atendidas com segurança e qualidade social pela Escola (80% das famílias são coordenadas por mães “chefes de família”, sendo que a maioria desempenha trabalhos precarizados e/ou sazonais – diaristas, empregadas domésticas, trabalhadoras em frentes de trabalho no campo, recicladoras, etc.);
Ainda quanto ao espaço físico, com certeza este não pode ser considerado como problema central, pois a Associação é proprietária de um imenso complexo, por todos conhecidos, localizado em pleno centro da cidade e atualmente sub-utilizado, chamado Centro Antoniano, que abriga várias salas disponíveis para realização de atividades de formação;
Em relação a suposta facilidade que apontam para o atendimento de nossas crianças nos bairros pelas escolas municipais existentes, gostaríamos de clarear que tais escolas já estão com sua capacidade de atendimento quase esgotada e em algumas séries/anos já não podem receber mais nenhuma matricula;
As Escolas Estaduais são poucas na área e distante das comunidades e nenhuma é de turno integral e muito menos de difícil provimento, além do que estabelecemos vínculos afetivos, sociais, pedagógicos com estas crianças e adolescentes, vínculos com suas famílias (atendemos crianças em que desde a terceira, quarta geração das famílias foram formados na Escola), o que causaria e já está a causar danos psicológicos as famílias e aos educandos; portanto, temos a certeza que, a se confirmar o fechamento da nossa Escola, muitos serão perdidos para a violência, para as drogas, para o trabalho infantil, para o abandono;
Que temos um trabalho direto com o Conselho Tutelar de Bagé no recebimento de crianças e adolescentes encaminhados por tal órgão, que reconhece publicamente o importante trabalho social e educativo trabalho realizado pela Escola. Portanto, seria um significativo revés para o sociedade bageense o fim de nossa escola e, conforme fala o ditado popular: “estão querendo desvestir um santo para vestir outro”, pois se querem realmente continuar e quem sabe ampliar seu trabalho social, que o façam sabendo que poderão contar conosco em mais este projeto, porque parceiros são justamente para isso. E não deixem desassistidos parcelas importantes da primeira infância e adolescentes por nós atendidos. 
A sociedade bageense tão imbuída dos princípios solidários, Cristãos e humanitários, pedimos que nos ajudem nesta causa do não fechamento da E.E.E.F. Dr. Arnaldo Faria, pois como diz o escritor Uruguaio Eduardo Galeano: "A história é um profeta com o olhar voltado para trás. Pelo que foi e contra o que foi, anuncia o que será”. Nosso trabalho, eminentemente social educativo não teve inicio a cinquenta e três dias, temos cinquenta e três anos de sérios e importantes serviços prestados a sociedade bageense, em especial ao atendimento dos filhos dos mais humildes cidadãos bageenses. É com esta humildade e consciência dos serviços prestados ontem e hoje que pedimos a sociedade que nos ajudem neste momento, pois o que nós solicitamos é somente o direito de seguir existindo, enquanto exemplo da própria História Viva de nossa Comunidade.E assim, podermos continuar nosso trabalho formativo junto a infância e a adolescência, contribuindo para que estes não caiam no triste universo das drogas, da prostituição infantil, da violência de todos os gêneros, do trabalho e da exploração infantil, que nossas Crianças e Adolescentes não se transformem em frios números de estatísticas daqueles que a sociedade não protegeu, mas principalmente que não caiam nunca no esquecimento.